
A JS Ílhavo julga ser seu dever vir mais uma vez a público tecer algumas considerações sobre o Programa de Bolsas de Estudo da Câmara Municipal de Ílhavo, neste que é o momento da sua entrega aos jovens que viram a sua candidatura aprovada pelo executivo.
Somos totalmente a favor deste tipo de medidas de alcance social no apoio a jovens com aproveitamento escolar e condição socioeconómica mais frágil. Daí identificarmo-nos completamente com a posição dos Vereadores do Partido Socialista ao aprovar a atribuição das referidas bolsas. Aliás, seremos como fomos sempre a favor de medidas que debelem problemas sociais no nosso município.
No entanto, acreditamos que seria vantajoso, no final de todos estes anos de existência do programa, existir uma avaliação e monitorização do programa para a valorização do capital humano que todos os anos é colocado ao dispor dos serviços da CMI, através do tempo de serviço por parte dos bolseiros.
Continuamos a defender a eliminação do valor fixo de apoio atribuído aos jovens, introduzindo escalões de forma a dar mais a quem mais precisa e menos a que menos precisa, tornando assim o Programa de Bolsas de Estudo Socialmente mais justo. É necessário que os estudantes do ensino superior vejam aumentadas as prestações de 9 para 10 meses.
Por outro lado, julgaríamos positivo a criação de um complemento de Bolsa de Mérito para os bolseiros que obtenham aproveitamento escolar Bom ou Muito Bom, funcionando este complemento como mais um factor de motivação para que os jovens, o futuro da nossa terra, atinjam elevados índices de competência.
Estamos preparados para que estas propostas sejam oportunamente discutidas e tornadas consequentes, a bem da melhoria do papel da CMI no apoio social aos jovens estudantes.
Obviamente, todas estas inovações no Programa exigem maior disponibilidade orçamental por parte do Executivo. O número de jovens apoiados é claramente inferior ao número de jovens que necessitam do apoio, o que revela um enorme desconhecimento da realidade por parte de quem assume os destinos do município.
É nosso dever denunciar alguns aspectos que nos fazem acreditar que a Câmara Municipal insiste em tomar este tipo de decisões apenas para poder dizer que não esquece o apoio social, demitindo-se, no nosso entendimento, de aprofundar cada vez mais o alcance social desta medida. É uma forma de fazer intervenção social claramente populista, para “inglês ver”.
O Orçamento da Câmara Municipal para o ano de 2010 ultrapassa os 53 milhões de euros. O valor dispendido pela Câmara Municipal de Ílhavo no Programa de Bolsas de Estudo é de 16 104,69 €, apoiando 21 jovens, 7 estudam no ensino secundário, 14 no ensino superior, tendo sido excluídos 34 candidatos. Uma quantidade significativa dos candidatos seriados como excluídos mostrava condições socioeconómicas mais do que susceptíveis da necessidade do apoio da CMI.
A JS Ílhavo é feita de jovens bem-intencionados, e responsáveis, que com esta análise aquilo que quer é pedir mais empenho financeiro da CMI no apoio aos estudantes da nossa terra. O custo de oportunidade deste pequeno esforço poderá bem ser um cachê de uma noite de espectáculo no Centro Cultural de Ílhavo. Estamos certos de que os Ilhavenses não se importariam de prescindir de tal coisa, em prol de mais justiça social no município, em prol do sucesso escolar dos nossos jovens.
Parece claro que o executivo deixa para a sua política de apoio social apenas as migalhas (cerca de 0,03%) do seu plano de investimentos megalómano.
O Secretariado da JS Ílhavo | Desenvolvimento Social